quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Furta-cor


Globos em órbitas ocas
Que dizem tudo e nada dizem
Como insana poesia louca
De um poeta que se deprime

São olhos que transmitem ódio
Amor, loucura e melancolia
Como uma tela de um pintor psicótico
Expressa uma estranha agonia

Dois buracos esquisitos
Que parecem sugar tudo
Tão vivos, misteriosos e confusos
Engolem o mundo como dois redemoinhos

Pupilas que se dilatam e se comprimem
Nos mostram as mentiras que todos dizem
Ou o mal venenoso que se consome
Que o vermelho doente não lhe esconde

A morte dança sob as pálpebras
À noite quando o sono nos envolve
A vida pelas pupilas escapa
Dando voltas por onde bem escolhe

Nossos olhos são assim:
De muitas cores e formas
Buracos escuros sem fim
Que a nossa visão deforma

Ass.: Márcio Beckman.

2 comentários:

Claudia Fernandes disse...

Sem dúvida, um de seus melhores..
Parabéns.. Tocou bem fundo.
Vc tem razão. Escrevemos de modo parecido.
Bjo.

Um Momento disse...

Fantástico!!
A forma como descreves te ... impressionante
Os meus Parabéns!!
Deixo um beijo
(*)