
Pela grama azul do céu
Infernizando a vida tranqüila
Cavalga a irascível nuvem
Trovejando sua raiva reprimida
É água, é vento, é vida
Vida latente que nutre vida
Vida mutante e fim da vida
Relâmpago cortante no fim da avenida
Nem sempre branca, serena e calma
É geada má e névoa na estrada
No negrume da noite é o negro fantasma
Um terror ascendente, uma louca enxurrada
É atraso na vida de uns
Alegria na vida de outros
Negligente, se importa com poucos
Montaria de homem nenhum
É espírito livre da natureza
Sem freio, sela ou correia
Mas é vítima do hábil domador:
O sol que a laça sem temor
Tempestade, frio, nuvem enfurecida
O Granizo: coices sem misericórdia
Vento e raio: um espasmo de agonia
De quem morre, mas não vive uma derrota
Quão persistente é o domador experiente!
E quão teimosa é uma nuvem assim raivosa!
Mas no duelo entre o invencível e o indomável
Vence o invencível e doma-se o indomável
O espírito livre vira escravo
Por enquanto ficará no novo estábulo
Ass.: Márcio B. S.
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Ouça: B. J. Thomas - Raindrops keep fallin' on my head