quarta-feira, 7 de abril de 2010

Desfragmentando a unidade Mundo



Pequenos nós somos. Da Terra, somos as bactérias que, embora feitas da mesma matéria, possuímos, cada uma, a nossa particularidade. Por isso somos partículas em nossos mundos particulares. Somos bactérias inseridas em nossas culturas, mas nem por isso cultas. Somos a espécie da divisão, pois criamos toda espécie de divisão: seja como tribo, partido ou religião; seja por afinidade, disparidade ou mera classificação.
O certo é que, em meio a um universo de vizinhos, vivemos nos dividindo. E qual a razão disso? Penso que é por haver tão múltiplos caminhos que, durante a vida, acabam nos definindo. Definição que, de certa forma, esclarece e limita. Definição que tira a criatividade e nos enquadra em categorias. E tudo sem discussão, assim, categoricamente, sem espaço para qualquer questão. A árvore de possibilidades lógicas é seca e não dá frutos, é contrária a árvore da vida que semeia o crescimento mútuo.
Em nossas frias análises, cortamos e controlamos a tudo. Procurando extrair a essência, tentando entender o mundo. Mas nunca há respostas verdadeiras, diante delas ficamos mudos. Assim, nós, os macacos desnudos, evoluídos para a ciência de Darwin e para todos os que se acham cientes, só nos preocupamos mesmo é com enchentes e com tudo o que for emergente.
Por isso mesmo, aqui está o mundo: dividido e fragmentado; devastado e desnaturalizado; a caminho de um desfecho em que todos hão de perecer. E diante disso o que devemos fazer? Sugiro deixarmos de ser rígidos para melhor cuidarmos desse disco, da nossa unidade Mundo. Que, então, reconectemos tudo, cada uma das peças isoladas! Talvez seja esta a última chance de termos a unidade desfragmentada.

Ass.: Márcio Beckman.

2 comentários:

bruno nobru disse...

Márcio, gostei muito do texto.. essa nossa condição de fragmentados.. tantas tribos, tantas diferenças que acabamos não tendo união.. a cultura individualista e o mercado capitalista vão crescendo cada vez mais, enquanto que dispersos não temos contatos concretos entre pessoas, o encontro virou algo raro, da mesma maneira diminui as possibilidades de ações conjuntas.. e vamos seguindo o barco, que fragmenta as pessoas (como voce colocou) e fragmenta a nós mesmos.. por isso faz sentido as teorias pós-modernas e a arte contemporânea.. mas agora que percebemos isso é momento de nos questionar se é isso que queremos para nós e para nossa vida..

Sophia Vieira disse...

mas quanta riqueza!!!!!
lembrei da musica do teatro mágico "tem horas que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só"