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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Embrião de Quê?



Fruto original
De puro potencial
Embrião de quê?
Cria ideal?
Vida marginal?
Caixa surreal
Cheia de porquês?

É composto em vaso
De argila moldável
E decomposto em vaso
De cerâmica quadrado
Que leva por água abaixo
O fino e estimado refugo
De tantas idéias sem uso

É embrião de quê?
Ainda me pergunto
Terra inexplorada
De cem mil recursos
Mantida no escuro
De um não saber
Um ovo a eclodir
Com o novo ser que irá surgir

Ass.: Márcio Beckman de Souza

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Em terra de minas...














Passeio, piso com cuidado
Nos campos de arame farpado
Sem saída, em um cerco fechado
Almejo chegar ao outro lado
Com uma escassa segurança,
Esperança e confiança
Divido o território em pedaços
Tal qual um bolo recheado
De terra e materiais variados
Há os que, um dia, darão frutos
E outros, certamente, são minados
Em todos, a semente do futuro
Outrora foi o plantio do passado

Ass.: Márcio Beckman

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dois caminhos, duas caminhadas...

Sucesso e falência
Dois caminhos de conseqüências
À beira da bifurcação estamos
E neste lugar novamente nos perguntamos
Sem seta, sem mapa, sem indicação...
Sozinhos, só nos resta o coração
Pois a cabeça está tão cheia
Que transborda de preocupação

À sombra de um futuro negro
Um ano dourado 2010
Aguça-nos o desejo
Desdobra-se aos nossos pés
O tempo como um lampejo
Para trás está a história
E para frente a possível glória
Aguarda-nos sem demora
Unindo-nos com seus anéis

Ass.: Márcio Beckman

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Au revoir!













Aves avisto
Voam nos arredores
Revolvendo os ares
Aos montes para cá migram
Preenchendo o horizonte
Precipitam-se em rasantes
Descendo em espiral
Percorrem o sentido vertical
É uma revoada alvoroçada
Que demarca a intangível alvorada
Invadem, atormentam e bicam
Remontam a infinita jornada
Dos dias, os mais longínquos


Ass.: Márcio Beckman de Souza

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Luke

Pequeno Luke
Cãozinho cheio de truques
Alegre e cheio de vida
Corria pela cozinha
Estava sempre alerta
Sentado, esperava comida
Com o coraçãozinho disparado
Ansioso, entrava em disparada
Quando qualquer perigo o rondava
Nada temia e tudo enfrentava
Entrava em qualquer brecha
E de todo lugar saía
Era um hábil mestre das fugas
Um fabuloso escapista
Mas tudo isso cessou
Aquietou-se em um triste dia
Foi embora sem dizer adeus
Fugindo para outra vida
Deixando-nos com o sentimento
De que agora nunca saberemos
O Lhasa que ele seria

Ass.: Márcio Beckman


Homenagem ao Luke * 27/08/2009 - 03/02/2010 †  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

2010 Vias

A previsão do tempo
Antecipa as tormentas
Esquivas advertências
Alteram o movimento

Novíssimos elementos
Desviam as velhas correntes
De fluxo outrora sereno
Tornado agora emergente

A balsa enfrenta a torrente
Permanecendo sempre em frente
Passado o ponto sem volta
Dirige-se à nova porta

Esguia é a passagem
De fuga da tempestade
E Tênue é o raio de sol
Mas guia-nos como farol
Levando-nos à felicidade

Ass.: Márcio Beckman

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Volta
















Revolta, revolve, resiste, remove, resolve, renova
Envolve, dissolve, discorda, recicla, reúne, reunifica
Agita, cogita, digita, liqüida, assusta, regurgita
Expõe, propõe, dispõe, expulsa, exporta, importa
Estoura, esgota, instiga, imita, inveja, inventa
Arrebenta, destrói, confunde, reinventa, acena, encena
Inspira, expira, aspira, espirra, respira, encolhe
Reporta, recorta, replanta, implanta, redime, recolhe
Reprime, reluta, resulta, recria, receia, inova
Retoma, entorna, entoa, detona, recorda, concorda
Visita, relembra, revisita, hesita, retorna e não volta


Márcio Beckman

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Passagem

As portas estão fechadas
As portas ao mundo dos sonhos
Pois meus pesadelos medonhos
Aqui vivencio acordado

À noite, me encontro trancado
Batendo do lado de fora
Procuro as chaves das portas
Que agora me impedem a entrada

No escuro esforço-me um pouco
Voltando pros meus próprios bolsos
Reflito sobre minhas escolhas
Revejo milhares de coisas
Mas nenhuma cria a abertura
Pois são pensamentos fechados
De um triste ser enclausurado
Em busca de suas verdades
_
Caio, então, na humildade
E desfaleço cansado
Deixo-me pelo destino ser guiado
Uma porta agora se abre
_
Márcio B. S.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Hiperespaço Urbanóide



Da poeira da nossa matéria
O homem se dilui e se dispersa
Numa infinidade de cores e sons
Do negro aos esmaecidos tons
Flutua na nuvem distorcida
De objetos que, em contrapartida,
Orbitam ao seu redor
É uma confusão de nós
Mistura de desordenadas tintas
Que inundam as sensações
Criando abstrações
Desorientando os sentidos
Eclodem as emoções
Disparam ab-reações
Em todas as direções
_
Márcio B. S.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Preço da Liberdade

Compromissos
Responsabilidades
Repousam acima da vontade
Adota-os quem tem juízo
Levando-os com criatividade
Assim, criam-se atividades
Renovando-se o cansado espírito
De nós que batalhamos aflitos
Por gotas de felicidade
Neste mar sempre em desafio
_
Márcio B. S.

sábado, 22 de agosto de 2009

A Sutil Arte da Adivinhação

O que há a frente eu não sei
Sou um cego no escuro tateando
Procuro sentir os meandros
Das terras onde pisei
Tento, em vão, adivinhar onde estarei
Daqui a 5 ou 10 anos
Refaço todos os meus planos
Considerando o que escutei
Mas por vezes caio num engano
Em outras, acabo acertando
Esta é a sina de ser humano
Aqui onde que tem olhos é rei

Márcio B. S.
___________________
 Assista: Matrix Revolutions (filme)

domingo, 16 de agosto de 2009

O Labirinto de Ações

Dádivas divinas
Dadas, distribuídas
O dados de Deus destinam
A sorte nos foi lançada!
Estudo minha jogada
Estratégica, concisa
Enquanto que ela fica
À espera de ser guiada
Prefiro pegar a estrada
Até onde a mente avista
Suando minha camisa
Exploro cada saída
Desta intrincada Jornada
_
Márcio B. S.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Após o Holocausto


















Palavras são armas
Cortam-lhe a alma
Quando mal usadas
Trazem-lhe desgosto
Arrancam do rosto
A alegria da vida
Pois causam feridas
Atingem a todos
Derrubam a máscara
Agora quebrada
A fina porcelana
Mergulha na lama
Desfazem-se os laços
Dos velhos cadarços
Agora desamarrados
Estão em desuso
















São dias confusos
E noites em claro
Após o holocausto
Desfez-se a ilusão
Ficou a explosão
E tudo o mais queimado
No vazio amargurado
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Ass.: Márcio B. S.
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Assista: O Pianista

quinta-feira, 16 de julho de 2009

À dois, passos...




Ao meio-dia
A melodia
Nossos corações em harmonia
Batem num só ritmo
Pensamentos interligados
Encontram-se em sintonia
Construímos o nosso futuro
A cada novo dia
O tempo segue em frente
Em contagem regressiva
Para estarmos cada vez mais juntos
Integrados em nossas vidas
Em passos, à dois, caminhamos
Em meio a idas e vindas
À nossa infância retornamos
Em tardes divertidas
Um belo tempo passamos
Mas nunca estamos sós
Há muito ao nosso redor
O mar revolto de um lado
E o vento, que uma vez invocado,
Enche-nos de areia e sal
Mas há também o sol
Que deixa-nos desidratados
Que queima e deixa irritados
Nós que sob ele estamos
Mas ainda sim nos amamos
Ainda sim brincamos
Sem dúvida somos felizes
365 vezes
Ao final do 1º ciclo
Percorridos 12 meses
O fogo está ainda mais vivo
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Ass.: Márcio B. S.
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Ouça: Madredeus - A praia do mar

domingo, 28 de junho de 2009

O Enfarte e a Infame Arte

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A arte imita a vida
E a vida imita a arte
O homem foi à Marte
E trouxe sua parte
Mas qual não foi a sorte
Do homem que foi forte
E teve só o enfarte?
A vida lhe fez arte
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Ass.: Márcio B. S.

domingo, 21 de junho de 2009

Azul, Azul, Azul... (ou amargo simbolismo forçado desprovido de sentido)



Pela grama azul do céu
Infernizando a vida tranqüila
Cavalga a irascível nuvem
Trovejando sua raiva reprimida

É água, é vento, é vida
Vida latente que nutre vida
Vida mutante e fim da vida
Relâmpago cortante no fim da avenida

Nem sempre branca, serena e calma
É geada má e névoa na estrada
No negrume da noite é o negro fantasma
Um terror ascendente, uma louca enxurrada

É atraso na vida de uns
Alegria na vida de outros
Negligente, se importa com poucos
Montaria de homem nenhum

É espírito livre da natureza
Sem freio, sela ou correia
Mas é vítima do hábil domador:
O sol que a laça sem temor

Tempestade, frio, nuvem enfurecida
O Granizo: coices sem misericórdia
Vento e raio: um espasmo de agonia
De quem morre, mas não vive uma derrota

Quão persistente é o domador experiente!
E quão teimosa é uma nuvem assim raivosa!
Mas no duelo entre o invencível e o indomável
Vence o invencível e doma-se o indomável
O espírito livre vira escravo
Por enquanto ficará no novo estábulo

Ass.: Márcio B. S.
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Ouça: B. J. Thomas - Raindrops keep fallin' on my head

domingo, 14 de junho de 2009

Quando 5 anos se passam...



Pessoas vêm e vão
Em primaveras florescem
Vai-se a estação
Permanece a ligação
Quando, em comum, surge um ponto de união

Em mundos paralelos
Encontros casuais
Criam-se elos
Alguns eternos
Outros sazonais

Momentos esculpidos
Imagens registradas
Retratam-nos o vivido
Traçam os nossos caminhos

Espíritos unidos
Que convivendo em grupo
Transcendem o indivíduo
Encontram-se no escuro

Quando, então, mutuamente se ajudam
Quando percorrem sua jornada juntos
Ou seguindo diferentes rumos
Quando cinco anos se passam

Ass.: Márcio B. S.

Ouça: Pato Fu - Sobre o tempo

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Queimada



No meio da verdejante relva
Uma antítese oculta se revela
Para além da ilusão da refrescante brisa
O fogo de cinco sóis alimenta-se de vidas
Violetas, rosas e laranjas verdes viram cinzas
Ao som de um blues a vermelha terra roxa ferve
E a chama, que se chama Chama, chama o fogo
Gritando aos berros para quem não deve
Inventa sua própria poesia a partir de outra
Pois a chama nada cria e tudo transforma
Mas o fogo que ela conquista nem se importa

“Metanol é fogo que arde sem se ver
Causa ferida que dói e não se sente
É queimadura de terceiro grau na gente
Uma dor sem ter mais nervos pra doer...”

Bêbada de tanto álcool ela dança
E o fogo, também “de fogo”, cai na sedução da chama
Enquanto a terra em sua dor se contorce
A chama e o fogo pela mata inteira correm
Em devaneios alucinados os dois giram
No fogo da paixão e no calor do amor destrutivo
A chama, que se chama Chama, geme
E o fogo, que ficou “de fogo”, treme
O ar se torna rarefeito
Sobre um inesperado lençol fazem seu leito
Mas a terra é desacostumada de orgias
E logo, sentindo náuseas, vomita
O lençol vaza como uma ducha de água fria
A chama se apaga, o fogo se extingue
E a mata volta mais verde no outro dia
_
Ass.: Márcio B. S.
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Ouça: The Doors - Light my fire

sábado, 30 de maio de 2009

Paraíso Perdido



O meu universo paralelo
É um paraíso perdido
Saí de lá de repente
Sem ter consciência disso

Lá é a terra do sol
Das praias de eterno verão
Lá é onde o calor das pessoas
Aquece o nosso coração

Distante do mundo do frio
Vivia feliz e satisfeito
Mas achava-me mal colocado
E via lá muitos defeitos

Agora só sinto saudades
Pois terei que por aqui ficar
Distante da areia e do sol
E longe da brisa do mar

Lá é que há gente animada
Nas festas e nos carnavais
É mesmo uma ilha encantada
Um tempo que não volta mais

Mas aqui também pode ser bom
É questão de me adaptar
Decerto terei de aprender
A viver neste novo lugar

Um mundo frio sem sol
Um mundo frio sem areia
Um mundo frio sem mar
Mas ainda assim repleto de sereias
_
Ass.: Márcio B. S.
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P. S.: Poesia escrita no periodo entre 2002 - 2005. Resolvi posta-la aqui hoje porque tive um momento nostálgico, conversando sobre a minha saudosa São Luis, durante o almoço.
_
Ouça: César Nascimento - Ilha Magnética

terça-feira, 26 de maio de 2009

Andanças




Caminhante, andante
Passista dançante
Ao som dos primeiros passos
Caminha confiante
Só pára no espaço
Que lhe é reservado
Mas este está vazio
Apesar de preenchido
A semente da esperança
Que provoca a animada dança
Também é a razão do pânico
E das crises de desânimo
Andarilho encurralado
Trancado, o espaço fechado
A mil pensamentos recorre
E várias milhas corre
Atrás de papéis percorre
Sozinho, ninguém socorre
Sem nada está ferrado
Sobrevivendo sobrecarregado
A todo momento testado
_
Ass.: Márcio B. S.
_
Ouça: Mutantes - Ando meio desligado
Assita: À Procura da Felicidade